O condicionamento telúrico-ideológico do desejo em Terras do Sem Fim de Jorge Amado
BR FCJA J/PP.di / C87c por(BR) 1975


Referência

COSTA, Lígia Militz da. O condicionamento telúrico-ideológico do desejo em Terras do Sem Fim de Jorge Amado. Orientador: Prof. Dr. Affonso Romano de Sant'Anna. Rio de Janeiro, 1975. 106 f. Dissertação(Mestrado em Literatura Brasileira)-Departamento de Letras e Artes, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1975.

Tipo

Dissertação

Resumo

Os quarenta e quatro anos de literatura de Jorge Amado, suas vinte e duas obras publicadas, seu consumo fabuloso comprovado nas tiragens cada vez maiores, sucessivas reedições e traduções para mais de trinta idiomas, constituem-se desde sempre, num desafio para o analista. Procurando penetrar mais profundamente nessa realidade literária brasileira que é o escritor baiano, este trabalho é à análise sistemática de uma de suas obras, Terras do Sem fim (São Paulo, 1943), que entendemos representativa das marcas essenciais de toda a sua ficção. Nosso trabalho pretende ser a demonstração do grau de abertura e opacidade existentes no seu discurso. A própria especificidade do texto forneceu-nos o caminho para a sua desmontagem: pelas leituras horizontais e verticais da obra revelou-se-nos sua construção dicotômica estruturada sobre um modelo de duplicidade. Inicialmente os elementos deste modelo atualizam-se em relação de oposição: é dentro do tecido narrativo, onde significantes oferecidos nas relações “in praesentia” do signo (“terras, dinheiro, cacau e morte”) opõem-se a outros percebidos nas relações “in absentia” (“amor, liberação”); tais significantes constituem duas séries paradigmáticas identificadas como preenchimento de um vazio, que se nomeou como desejo econômico e desejo erótico, e analisou, respectivamente, por meio do discurso ideológico/contra-ideológico e do discurso onírico. Na segunda parte do trabalho, a oposição entre os elementos do modelo de duplicidade aparece atenuada, graças a um denominador comum que os condiciona: a aliança telúrico-ideológica. Desfaz-se a radical qualificação positiva ou negativa que poderia ter ficado implícita na parte inicial, porque agora, tanto um como outro elemento da duplicidade dependem de um mesmo significante: a “terra”. È com os personagens que a afirmação se explicita claramente: são dúplices construções (positivos e negativos) em dupla articulação (desejo econômico e desejo erótico), porquanto expressões do convívio de elementos dados como isolados. O índice de abertura assim configurado pela neutra aproximação de “opostos”, ver-se-á ampliado pelo nostálgico escapismo romântico e pela presença do lirismo. A ambigüidade depreendida das relações ao mesmo tempo de oposição e complementaridade é confirmada pelo estudo da linguagem como representação lúdica, desde o arranjo estrutural do discurso e da narrativa, até o paródico jogo da “verdade”, que determinam à obra um sentido outro que não é só ideológico ou contra-ideológico, mas sentido de linguagem enquanto linguagem, opacidade de discurso.

Notas

  • SUMÁRIO
  • SINOPSE
  • NOTAS
  • I – A TERRA COMO METONÍMIA DOS SIGNIFICANTES IDEOLÓGICOS
  • I.1 – Os significantes ideológicos
  • I.2 – O modelo estrutural
  • I.3 – A terra como metonímia do desejo econômico
  • a) A verdade histórica – epopéia do cacau – e a série literária / b) A posição contra-ideológica / b.1) A denúncia social / b.2) A presença da tragédia / b.3) O sistema telúrico-ideológico
  • I.4 – A terra como metonímia do desejo erótico ou a verdade onírica
  • a) Relações entre discurso onírico e discurso literário / b) A presença do sonho como realização de desejos
  • II – O CONDICIONAMENTO TELÚRICO-IDEOLÓGICO DO DESEJO
  • II.1 – A duplicidade na construção e articulação dos personagens
  • a) Visão geral dos personagens amadianos / b) A articulação dos personagens
  • II.2 – A irrealização do desejo no contexto telúrico ideológico
  • a) Relações entre o modelo estrutural e a articulação dos personagens / b) A irrealização do desejo
  • III – A REPRESENTAÇÃO LÚDICA DA LINGUAGEM
  • III.1 – A montagem lúdica da narrativa
  • a) Expressão de conteúdo / b) Expressão metafórica
  • III.2 – O jogo da “verdade”
  • a) Versões / b) Inversão dos fatos da linguagem
  • III.3 – O modelo de duplicidade e a opacidade o discurso
  • BIBLIOGRAFIA
  • SUMMARY
  • RÉSUMÉ

Palavras-chave

J/PP.di C87c; J/PP.di; JA; ANÁLISE; TERRAS DO SEM FIM; PERSONAGEM